Interdisciplinaridade na construção do texto: comunicação e expressão no curso de direito

Maria Carmen Guimarães Possato

Resumo: Compreendendo o processo escritura-leitura como busca e trabalho do escritor e do leitor na construção do conhecimento, o projeto “A interdisciplinaridade na construção do texto: comunicação e expressão no curso de direito” trabalha duas instâncias: as deficiências de leitura e escritura detectadas no primeiro ano da graduação do direito por todos os docentes e a possibilidade de sanar parte dessas deficiências na construção do texto (leitura e escritura) por intermédio da interdisciplinaridade. A conjugação das duas focalizações articula propostas de evolução no trabalho com alunos do primeiro ano do curso, preparando-os para a aprendizagem da linguagem jurídica e o posterior exercício profissional, numa atuação consciente de cidadania e responsabilidade social.

Palavras-chave: Interdisciplinaridade, Direito, Comunicação e Expressão.

Abstract: Understanding the writing-reading process as the pursuit and work of the writer and reader in the construction of knowledge, the project “Interdisciplinarity in text construction: communication and expression in the course in law” works in two instances: the reading and writing deficiencies in the first year of the undergraduate course in law detected by all professors and the possibility of solving part of these deficiencies in the construction of the text (reading and writing) through interdisciplinarity. The conjugation of these two focalizations articulates proposals of evolution in the work with the first-year students, preparing them to learn the legal language and the subsequent exercise of the profession, in a conscious act of citizenship and social responsibility.



Keywords: Interdisciplinarity, Law, Communication and Expression.

Sumário: Introdução. 1. Método. 2. Resultados. 2.1Interpretação e Produção de Textos. 2.1.1 Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular. 2.1.2 Dificuldades para a obtenção dos objetivos. 2.2 Filosofia do direito. 2.2.1. Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular. 2.2.2 Dificuldades para a obtenção dos objetivos.2.3 Comunicação e Expressão. 2.3.1 Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular. 2.3.2 Dificuldades para a obtenção dos objetivos.2.4 Direito Penal – Teoria Geral do Crime.2.4.1 Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular.2.4.2 Dificuldades para a obtenção dos objetivos.2.5.Trabalho interdisciplinar do primeiro semestre de 2012. 2.6 Trabalho interdisciplinar do segundo semestre de 2012. 2.7 Trabalho interdisciplinar do primeiro semestre de 2013.2.8 Trabalho interdisciplinar do segundo semestre de 2013. 3. Discussão. Considerações Finais. Referências

INTRODUÇÃO

As reflexões finais do nosso projeto anterior “As interfaces da linguagem jurídica: desvelamento técnico e linguístico em prol da cidadania e responsabilidade social” constataram a imperativa necessidade de um completo domínio da norma culta no curso de direito antes de aplicá-la ao contexto jurídico. Somente o domínio sólido do vocabulário e do funcionamento da norma culta possibilita, ao longo dos anos, a conquista de um estilo sóbrio, moderado, exato e elegante esperado para todos os operadores jurídicos, ou seja, o aprimoramento do vernáculo compreendido como instrumento indispensável para um exercício profissional eficaz nessa área.    Essas reflexões motivaram o prosseguimento da nossa pesquisa, dessa vez com um projeto que demonstrasse a viabilidade de atender à atualização da grade curricular, contemplando as carências de aprimoramento do ensino da língua portuguesa, além de libertar a linguagem jurídica do discutido e desconfortável banco dos réus.

Resultados de testes nacionais e internacionais realizados nos últimos anos nos ensinos fundamental e médio revelam que a maioria dos estudantes brasileiros não possuem competência leitora nem escritora suficiente para prosseguir satisfatoriamente os estudos acadêmicos. Tanto a nossa pesquisa anterior como alguns dos trabalhos interdisciplinares realizados ao longo desses dezesseis anos de docência no curso de direito atestam as possibilidades de se trabalhar a construção do texto (leitura e redação) na graduação do direito utilizando a interdisciplinaridade – a articulação dos conteúdos das disciplinas da grade curricular do curso.

 Compreendendo o processo escritura-leitura como busca e trabalho do escritor e do leitor na construção do conhecimento, o projeto “A interdisciplinaridade na construção do texto: comunicação e expressão no curso de direito” trabalha duas instâncias:

a)    As deficiências de leitura e escritura detectadas no primeiro ano da graduação do direito por todos os docentes.

b)    A possibilidade de sanar parte dessas deficiências na construção do texto (leitura e escritura) por intermédio da interdisciplinaridade.

 A conjugação das duas focalizações articula propostas de evolução no trabalho com alunos do primeiro ano do curso do direito, preparando-os para o ensino aprendizagem da linguagem jurídica e o posterior exercício profissional, numa atuação consciente de cidadania e responsabilidade social.

A rotina de um advogado envolve vários escritos: petições, relatórios, pareceres, encaminhamentos, pesquisas, produções científicas. Talvez, também por esse motivo, conhecemos tantos juristas escritores, profissionais que compreenderam o Direito como a ciência de verdades transitórias, mas sempre focada na relação de solidariedade. Há assim uma certa influência do literário no discurso jurídico que se torna mais elegante e mais acessível devido exatamente a essa formação humanística. O aluno que entra numa faculdade de Direito deveria possuir essa formação em estágio adiantado e esforçar-se para continuá-la. Nosso projeto se justifica no esforço de resgatar essa formação humanística e encontrar o equilíbrio entre a sensibilidade necessária à profissão e o rigor técnico indispensável à prática jurídica.

Segundo Antônio Houaiss, síntese é a “operação ou processo de reunir (...) dados sobre um tema e chegar a uma visão geral e concisa do todo.” (Dicionário de Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 2582).

 “Nas operações mentais em busca da verdade, o espírito humano tem de servir-se da síntese, a reconstituição do todo. (...) O espírito sintético nos permite uma visão de conjunto, pois (...) apoia-se nas semelhanças ou analogias entre seres, fatos, fenômenos ou idéias.” (GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna. 7. ed. Rio de Janeiro: FGV, 1978, p. 317)

Apoiada nas palavras desses dois especialistas da linguagem, este projeto pretende sistematizar a aprendizagem da transformação de leituras em textos coerentes, coesos e significativos para a construção do conhecimento, exercitando o futuro trabalho do operador do direito: ler, relacionar e sintetizar ideias e fatos essenciais aos processos. O objetivo geral do trabalho é buscar uma compreensão ampla da constituição da linguagem como ferramenta profissional, libertando-a dos equívocos acerca do que seja erudição, possibilitando, assim, a aferição ponderada e crítica da linguagem voltada para o ensino do Direito.

Entre os objetivos específicos estão:

a) Trabalho interdisciplinar (Interpretação e Produção de Textos / Filosofia do Direito) com apresentação das questões primordiais da linguagem em textos que ampliam o universo da reflexão jurídica e a competência comunicativa: textos de jornais, revistas especializadas, literatura, cinema, publicidade relacionados ao Direito.

b) Concretização da leitura efetivamente crítica. Registros de leitura e trabalho de síntese. Transformação da leitura em escritura de textos claros, coerentes e coesos.

Na primeira focalização, são conjugados os conteúdos das duas disciplinas (Interpretação e Produção de Textos / Filosofia do Direito), motivando leituras críticas de temas contemporâneos sob a ótica da Filosofia do Direito para um trabalho consciente de elaboração de registros de leitura e apresentação de seminários.

Na segunda focalização, os registros e as interpretações dos textos selecionados são transformados em banners em um trabalho de síntese, dessa vez contando também com a colaboração interdisciplinar dos alunos da Comunicação Social para o projeto gráfico das peças expostas durante a Semana Jurídica.

Para as duas focalizações, o projeto se realizou com a participação direta do Professor Paulo Antoine Pereira Younes, docente da disciplina de Filosofia e Direito Penal, no curso de Direito de nossa unidade.

As atividades interdisciplinares se diversificaram no prosseguimento do projeto interligando as disciplinas Comunicação e Expressão e Direito Penal.

1MÉTODO

Os métodos de estudo utilizados foram:

Bibliográfico-fundamental, por tratar-se de estudo para conhecer e reunir as contribuições científicas e documentais sobre o tema;

Comparativo, por examinar vários livros, trabalhos ou textos análogos para descobrir o que é comum, isto é, significativo nos estudos já realizados;

Fenomenológico-hermenêutico, por privilegiar estudos teóricos e análise de textos.

Indutivo, por basear-se em análise da interpretação de textos selecionados, além de extrair as linhas de raciocínio dos estudantes, até atingir conclusão de ordem geral, procurando uma constante nos fatos observados, para justificar uma metodologia de trabalho com alunos do primeiro ano do curso de Direito. Para demonstrar essa metodologia, elaboramos um programa de execução do projeto.

Primeiro semestre de 2012

Interpretação e Produção de Textos (conceito da disciplina)

Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

Dificuldades para a obtenção dos objetivos

Filosofia do Direito (conceito da disciplina)

Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

Dificuldades para a obtenção dos objetivos

Trabalho Interdisciplinar (descrição das atividades)

Interpretação e Produção de Textos (conteúdos do primeiro semestre)

Filosofia do Direito (conteúdos do primeiro semestre)

Articulação dos conteúdos

Análise dos resultados (seminários, trabalho de síntese em banners)

Segundo semestre de 2012

Comunicação e Expressão (conceito da disciplina)

Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

Dificuldades para a obtenção dos objetivos

Direito Penal (conceito da disciplina)

Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

Dificuldades para a obtenção dos objetivos

Trabalho Interdisciplinar (descrição das atividades)

Comunicação e Expressão (conteúdos do segundo semestre)

Direito Penal (conteúdos do segundo semestre)

Articulação dos conteúdos

Análise dos resultados (seminários, trabalho de síntese em artigos de opinião)

Primeiro semestre de 2013

Interpretação e Produção de Textos (conceito da disciplina)

Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

Dificuldades para a obtenção dos objetivos

Filosofia do Direito (conceito da disciplina)

Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

Dificuldades para a obtenção dos objetivos

Trabalho Interdisciplinar (descrição das atividades)

Interpretação e Produção de Textos (conteúdos do primeiro semestre)

          Filosofia do Direito (conteúdos do primeiro semestre)

          Articulação dos conteúdos

Análise dos resultados (seminários, trabalho de interpretação do conto “O enfermeiro”, de Machado de Assis)

Segundo semestre de 2013

Comunicação e Expressão (conceito da disciplina)

Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

Dificuldades para a obtenção dos objetivos

Direito Penal (conceito da disciplina)

Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

Dificuldades para a obtenção dos objetivos

Trabalho Interdisciplinar (descrição das atividades)

Comunicação e Expressão (conteúdos do segundo semestre)

Direito Penal (conteúdos do segundo semestre)

Articulação dos conteúdos

Análise dos resultados (seminários, trabalho de síntese em artigos de opinião)

2 RESULTADOS

2.1 Interpretação e Produção de Textos (conceito da disciplina)

A disciplina Interpretação e Produção de Textos, passa, necessariamente, pelas considerações sobre a noção de texto e da íntima vinculação entre a recepção e produção. Há uma luta antiga no nosso país para levar leitura a todos e formar uma sociedade leitora. Os debates, os congressos, as bienais se multiplicam, e especialistas de todas as áreas debatem a questão da leitura no Brasil, lembrando um novo tempo em que tanto a produção e a difusão do conhecimento não estão mais, obrigatoriamente, associados ao registro da palavra escrita. A leitura, hoje, tornou-se um processo complexo quando percebemos que cinema, rádio, televisão, vídeo e, principalmente, a internet, constituem os livros do nosso tempo que deverão ser "lidos" juntamente com outros dispositivos, cada vez mais sofisticados, que o homem continua a inventar para dar consistência e permanência às suas criações.Por outro lado, sabemos que a Informática não elimina a linguagem escrita, da mesma forma que nenhuma tecnologia eliminou, até hoje, a forma anterior de expressão. A leitura e a escrita, provavelmente, nunca deixarão de fazer parte da vida humana.

Para tornarmos leitores desse tempo, temos que compreender que escrita e eletrônica não são excludentes, e que o desempenho deve ser satisfatório na leitura de todos os meios de comunicação (os donos da cultura e da sua manipulação) e dos mais variados discursos, da expressão clássica à expressão popular (música, folclore, publicidade, jornais, álbuns), sem elitismo nem confinamento literário.

          2.1.1 Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

          O Plano de Ensino da disciplina “Interpretação e produção de textos” contempla os conteúdos: leitura, interpretação e conhecimento de temas da atualidade em diferentes linguagens, estilos e gêneros discursivos, preocupando-se ainda com a qualidade do texto produzido pelo graduando. A disciplina objetiva ampliar o universo cultural e expressivo do aluno, trabalhando e analisando textos orais e escritos sobre assuntos da atualidade com produção na linguagem oral e escrita de textos diversos. Segundo os objetivos específicos da disciplina, ao término do curso, o aluno deverá: valorizar a leitura como fonte de conhecimento e prazer; aprimorar as habilidades de percepção das linguagens envolvidas na leitura; ler e analisar diversos estilos e gêneros discursivos com senso crítico; identificar as idéias centrais do texto; ampliar seu vocabulário ativo; expressar-se com coerência, concisão e clareza, visando à eficácia da comunicação.

2.1.2 Dificuldades para a obtenção dos objetivos da disciplina

Ninguém nasce sabendo ler e nem se torna leitor por acaso. O leitor se torna leitor por um série de fatores que envolvem desde uma experiência agradável e positiva até a tomada de consciência das vantagens da leitura como passaporte da competência no exercício de toda e qualquer profissão.

 Sabemos, entretanto, que ler bem não significa, necessariamente, escrever bem. Embora a leitura consciente concorra para o sucesso da escritura, a relação não é automática. No trabalho de revisão gramatical de teses, os corretores se deparam frequentemente com as dificuldades generalizadas que profissionais de muita leitura (como é o caso dos que estão redigindo uma tese) têm com a expressão escrita.

Como resolver essas dificuldades? Por que, mesmo conhecendo profundamente essa necessidade, não há uma programação específica e contínua de produção de textos nas grades curriculares na graduação? Por que as pessoas estudam a língua estrangeira durante tantos anos e se descuidam do preparo da expressão escrita na sua própria língua? Seria possível contribuir concretamente para mudar um pouco tal situação?

A convivência cotidiana com as pesquisas e o trabalho docente na graduação obrigam-nos a sonhar uma articulação maior entre o pensador da língua, o profissional em formação e aquele que já atua na área. A busca dessa articulação motivou esse projeto chamando a atenção para uma formação continuada (que não termina nunca) da recepção e produção de textos, formulando um programa que trata dos mecanismos de produção de sentido do texto e procura oferecer, dentro do limite da pesquisa, a contribuição necessária para o desempenho cada vez mais satisfatório da escrita em todas as modalidades.

Oriundos de várias instituições, nossos alunos apresentam, no primeiro semestre do curso de direito, dificuldades diversas de leitura, interpretação e produção de textos. O direcionamento dado pelo professor encaminha a construção do conhecimento ao tornar o aluno como um sujeito do ato de ler (Freire, 2006), capaz de adquirir esse conhecimento com a prática da leitura, passando a compreender o mundo com mais clareza e interpretando as diferentes práticas sociais. Quando a leitura se baseia no desejo e no prazer, o aluno que busca o saber torna-se também capaz de conquistar sua "autonomia". Ninguém gosta de fazer aquilo que é difícil demais, nem aquilo do qual não consegue extrair o sentido. Para Cagliari (1993, p. 148), a leitura é a extensão da escola na vida das pessoas. A maioria do que se deve aprender na vida terá de ser conseguido através da leitura fora da escola. A conquista do hábito de leitura é uma herança maior do que qualquer diploma, uma vez que a conclusão da educação superior não representa sinônimo de sucesso, nem garantia de oportunidades e empregos bem remunerados, quase sempre ligados ao nome do curso e ao mérito da instituição. Em que pese grande parte desses alunos conseguirem finalizar o curso, boa parte deles, ao final, apresentam sérias deficiências pertinentes ao quesito conhecimento.

O estudante do curso de Direito necessita, imprescindivelmente, aderir/construir o hábito da leitura, já que um dos maiores, senão o maior instrumento de trabalho desse profissional será a argumentação. Torna-se, assim, indispensável a atuação do profissional docente, como mediador/facilitador da compreensão no processo de desvelamento e constituição do repertório jurídico.

2.2 Filosofia do Direito (conceito da disciplina)

Disciplina voltada à imprimir no aluno o exercício reflexivo, buscando e questionando o universo conceitual, elemento absolutamente necessário ao desenvolvimento do espírito critico, característica fundamental àquele que se propõe a conhecer e desenvolver suas atividades pautadas nas ciências jurídicas.

2.2.1 Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

Transmitir aos estudantes as noções introdutórias: objeto e divisão da Filosofia do Direito. Estimular a reflexão crítica sobre os fundamentos da ordem jurídica contemporânea, pelo domínio dos conceitos básicos da Filosofia.

2.2.2 Dificuldades para a obtenção dos objetivos

Em razão da deficiente formação de base, o aluno demonstra clara dificuldade em desenvolver, abstratamente, um raciocínio voltado à compreensão dos temas abordados em sala de aula.

2.3 Comunicação e Expressão (conceito da disciplina)

O Plano de Ensino da disciplina Comunicação e Expressão da UNIP tem como objetivos gerais ampliar os conhecimentos e vivências de comunicação pela compreensão e valorização das linguagens utilizadas nas sociedades atuais em processos específicos da linguagem e produção textual. Com o desenvolvimento dos recursos ouvir e falar, ler e escrever, o aluno deverá utilizar a língua não apenas como veículo de comunicação, mas como espaço constitutivo da identidade nas produções acadêmicas.

2.3.1 Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

O Plano de Ensino da disciplina “Comunicação e Expressão” contempla os conteúdos: os conceitos de língua e linguagem, as características do texto escrito e oral nos gêneros da atualidade, as condições de produção de um texto, a importância das informações implícitas e da intertextualidade nos procedimentos argumentativos de um texto, dinamizando esse conhecimento no artigo de opinião e no texto crítico. Assim, segundo os objetivos específicos do plano, ao término do semestre, o aluno deverá ter desenvolvido o seu universo linguístico ampliando o pensamento analítico e crítico, leitura, análise e criação de textos em trabalhos que o façam compreender e respeitar o desafio constituído pela interpretação e construção de um texto.

2.3.2 Dificuldades para a obtenção dos objetivos

 Deficiências no sistema educacional brasileiro respondem pela maior parte das dificuldades do ensino e o êxito da inovação está sempre condicionado a variáveis que fogem ao controle de experiências pedagógicas. Conscientes dessa situação, o professor de Comunicação e Expressão do curso de direito precisa desenvolver um trabalho gradativo e constante de análise crítica de textos complementada por dissertações argumentativas. Para essas atividades, enfrenta-se sempre um desafio: criar motivos e disposição interna para realizar determinada ação. Fundamental em qualquer atividade humana, mais necessário se torna para o trabalho de redação, prática que, em certas etapas do aprendizado, vem associada a ideia de desprazer e dificuldade. Entretanto, quando bem conduzido, o ato de escrever e criticar pode chegar a ser um motivo de realização pessoal com discussões organizadas de problemas examinando aspectos importantes de questões que trazem conflitos e divergências de opiniões. Ao estudar cada ângulo básico dos temas jurídicos (Direito Penal), estimulamos a busca de exemplos (tomados da vida, da história, da ciência) que esclareçam e justifiquem o que a análise vai descobrindo. Uma investigação de diversos textos com abordagens diferentes de um mesmo tema leva, sem dúvida, a amadurecer a opinião geral e abrangente sobre o problema discutido. Assim, o encadeamento lógico das ideias na expressão escrita torna-se algo bem menos arriscado.

2.4 Direito Penal – Teoria Geral do Crime (conceito da disciplina)

Disciplina voltada a imprimir no aluno os conceitos básicos e iniciais da ciência penal, ramo essencial e residual do direito, à medida em que intervêm nas relações sociais como ultima ratio, minimamente.

Princípios e normas de sustentação são conhecidos através de uma análise crítica e discussão de temas regionais atuais desse ramo do direito, constitucionalmente previsto.

2.4.1 Justificativa e objetivos da inserção da disciplina na grade curricular

 Transmitir aos estudantes as noções introdutórias: objeto e divisão da Ciência Penal. Estimular a reflexão crítica sobre os fundamentos da ordem jurídica contemporânea, pelo domínio dos conceitos básicos do Direito Penal.

2.4.2. Dificuldades para a obtenção dos objetivos

Em razão da deficiente formação de base, o aluno demonstra clara dificuldade em desenvolver, abstratamente, um raciocínio voltado à compreensão dos temas abordados em sala de aula, apesar de cotidianamente tratados pela mídia e vislumbrados na vida real.

2.5 Trabalho Interdisciplinar do primeiro semestre de 2012 (descrição das atividades)

O fazer docente baseado no conceito de interdisciplinaridade percebe a relação com o mundo social, natural e cultural de forma global, percebendo cada fenômeno observado ou vivido inserido numa rede de relações que lhe dá sentido e significação. O desenvolvimento das ciências e os avanços da tecnologia, no século XX, constataram que o sujeito pesquisador interfere no objeto pesquisado, não sendo possível a neutralidade no conhecimento, já que a consciência da realidade se constrói num processo de interpenetração dos diferentes campos do saber. Um planejamento conjunto com objetivos comuns de estudo estabelece um diálogo produtivo do ponto de vista do trabalho pedagógico, garantindo o desenvolvimento de uma compreensão da realidade sob a ótica da globalidade e da complexidade, ou seja, uma perspectiva holística da realidade.

Esses pressupostos justificam e esclarecem nossa opção de adotar a interdisciplinaridade como metodologia no desenvolvimento dos conteúdos das duas disciplinas, o que passamos a relatar.

Para articular os conteúdos básicos de Filosofia e Interpretação e Produção de textos, os docentes da disciplina programaram eixos integradores na exibição de três peças cinematográficas para as quatro turmas do primeiro semestre do curso: A

Árvore da vida, A onda, A vida é bela. Os temas dos filmes (complexidade da existência, ideologia e arte) coincidiam com os conteúdos trabalhados nas aulas de Filosofia, ao mesmo tempo que oportunizavam a dinamização da leitura, interpretação e produção de textos.

 Após a exibição de cada filme, os grupos de cada classe discutiram as leituras e interpretações, para depois organizar a discussão em seminários que direcionaram a elaboração de resenhas críticas pontuadas nas duas disciplinas. A elaboração das resenhas seguiu gradualmente as etapas descritas no roteiro abaixo, lembrando a importância de se conhecer a ficha técnica de um filme, da percepção da pré-sinopse (story-line) e da sinopse propriamente dita, para depois passar à interpretação, apreciação e indicação do filme.

Resenha crítica de filmes – Organização do registro de leitura

A resenha pode ser descritiva, isto é, sem nenhum julgamento ou apreciação do resenhista, ou crítica, com apreciações, notas e correlações estabelecidas pelo juízo crítico de quem a elaborou. Roteiro para a resenha crítica dos filmes assistidos:

Parte descritiva em que se dão informações sobre o texto:

 Ficha técnica do filme:

Direção

Produção

Roteiro

Elenco

Prêmios ou indicações

Sinopse do filme (resumo do conteúdo, espinha dorsal da narrativa)

 Qual o assunto central do filme?

 Qual a abordagem que se faz desse tema?

 O filme apresenta questionamentos e/ou respostas? Quais?

Apreciação do filme (leitura interpretativa)

A que gênero o filme pertence?

Trata-se de uma abordagem diferente desse gênero?

Apresenta uma sequência cronológica dos fatos? Caso não, há uma razão para a ordem apresentada?

Quais as figuras (elementos, cores, formas) que se repetem nas cenas e sequências?

Que reflexões são sugeridas pela repetição dessas figuras?

A trilha sonora colabora para estimular a atribuição de sentidos?

Há cenas em que predomina o silêncio (nenhum sistema sonoro)?

Como é a iluminação dos cenários das cenas/sequências? Essa iluminação influi na leitura?

Quais reflexões a narrativa do filme provoca?

Indicação

A interpretação desse filme exige conhecimentos prévios?

É indicado para qual faixa etária?

Observar a coerência, originalidade, alcance e contribuição em relação aos filmes que abordam o mesmo tema.

Neste estágio do projeto, após orientação e contatos com alunos da Comunicação Social, nossos graduandos trabalharam a síntese elaborando o banner, exposto durante a Semana Jurídica em agosto, para descobrir posteriormente a complementação dos dois processos: análise e síntese.

2.6 Trabalho Interdisciplinar do segundo semestre de 2012 (descrição das atividades)

Constatada a eficácia do fazer docente baseado no conceito de interdisciplinaridade, assumimos a mesma metodologia de planejamento conjunto com objetivos comuns no desenvolvimento dos conteúdos das duas disciplinas, o que passamos a relatar.

 Ler e escrever não são simples habilidades a que bastam treinamentos como a tradição ensina. Se leitura e produção de texto são duas faces inseparáveis desse processo, então para entender o desenvolvimento de uma e outra habilidade é necessário vê-las conectadas pela intertextualidade para que o nosso olhar aprenda a dinâmica de cada uma.

 Compreendendo a necessidade de forte estímulo para os alunos desejarem escrever um texto, para articular os conteúdos básicos de Direito Penal e Comunicação e Expressão, os docentes das disciplinas programaram leituras e discussões com o tema “A mídia e o Direito Penal”, baseando-se em dois textos fornecidos pelo docente da disciplina Direito Penal

 ANDRADE, Fábio Martins de. “A influência da mídia no julgamento do caso Nardoni.” Boletim IBCCRIM nº 210 - Maio / 2010

GOMES, Marcus Alan de Melo. – “Mídia, poder e delinquência.” Boletim IBCCRIM nº 238 - Setembro /2012

O tema oportunizava a discussão de um conteúdo legítimo do Direito Penal, motivando o primeiro estágio do trabalho: leitura como matéria prima para escrever (o que escrever) e leitura para estabelecer contato com os procedimentos de organização interna do texto (como escrever), descobrindo as virtudes que se pode tirar de outros textos e agregar aos nossos.

 Após a leitura, o tema foi explorado pelos grupos de cada classe que discutiram e organizaram a discussão em seminários que direcionaram a elaboração dos artigos de opinião, para serem pontuados nas duas disciplinas. A elaboração dos artigos seguiu gradualmente as etapas descritas no roteiro abaixo:

Apreciação e discussão do tema

Opinião geral

Problematização

Investigação crítica: leitura de vários textos que analisam o problema com enfoques diferentes.

Debate: discussão organizada, amadurecimento de opiniões.

Rascunho da dissertação: encadeamento das ideias guiadas por novas perspectivas do conhecimento (premissa, conclusão, argumentos e provas)

Redação do artigo

Revisão gramatical (autocorreção)

Nessas etapas, novamente os nossos graduandos realizaram a complementação dos dois processos: análise e síntese, preparo indispensável para o exercício da redação.

Aprender a redigir é aprender a pensar, a encontrar ideias e concatená-las, tornando-se assim o mais completo exercício de reflexão, de comunicação, de evolução mental do homem. Trata-se de um aprendizado que não termina nunca, não é previsível, planejado, estático. Treina para a vida e tem valor de uso, forma personalidades, seres de projeto,, sensíveis , críticos, livre e realizados.

2.7 Trabalho Interdisciplinar do primeiro semestre de 2013 (descrição das atividades)

Uma vez vivenciada, torna-se impossível abandonar a interdisciplinaridade no cotidiano acadêmico. A parceria entre as disciplinas motivam docentes e discentes facilitando a apreensão dos conteúdos e a elaboração dos trabalhos. Para atualizar os conteúdos já trabalhados nas disciplinas primeiro semestre de 2012 (Interpretação e Produção do Texto e Filosofia do Direito), e, ao mesmo tempo, complementar os objetivos do nosso projeto, no primeiro semestre de 2013, foi elaborado um trabalho de integração dos respectivos conteúdos com a leitura e interpretação do conto “O enfermeiro”, de Machado de Assis.

O trabalho interdisciplinar se iniciou na primeira aula de Filosofia do Direito, ministrada pelo docente titular da disciplina, Dr. Paulo Antoine Pereira Younes, com propostas de reflexão na análise de algumas questões do nosso dia-a-dia que, a princípio, parecem um pouco distantes.

Simultaneamente, a disciplina Interpretação e Produção de textos motivou a leitura de um texto que exigia critérios linguísticos, éticos, morais e jurídicos de interpretação, preparando o aluno para os estudos posteriores de hermenêutica (teoria científica da arte de interpretar). O conto foi escolhido por proporcionar uma multiplicidade de leituras e reflexões similares às realizadas nas aulas de filosofia do direito. Novamente, a classe dividida em grupos elaborou seminários para leitura e posterior debate de ideias e interpretações.

A possibilidade de uma leitura dupla do conto “O enfermeiro”, orientada pelo próprio narrador, representa o maior atrativo de muitas narrativas de Machado. Mais que contar uma história, seu interesse parece também estar concentrado em desvelar as armadilhas de que se compõe uma narrativa, criando, no seu tempo, uma verdadeira escola de teoria literária. Entre 1878 e 1889, a literatura se enriquece com a grande evolução de Machado, quando sua obra passa a ocupar todo um capítulo da nossa história literária. Ao lado dos grandes romances, aparecem nessa fase contos que são verdadeiras teorias, como é o caso de “O enfermeiro”, evidenciado nesta nova etapa de desenvolvimento do nosso projeto. O exercício pedagógico representou uma homenagem à inteligência de Machado que recusou o discurso acabado e desejou exatamente provocar a reflexão e o questionamento. Foi também esclarecido aos alunos que, embora o exercício colocasse o personagem no banco dos réus, Machado nunca julgou seus personagens, apenas enxergando as coisas como elas são, contemplando tranquilamente os homens e o mundo e aceitando a responsabilidade dessa contemplação. Para facilitar o trabalho, o texto utilizado em sala de aula foi extraído da Internet:

ASSIS, M. “O Enfermeiro” . disponível em .

Acesso em: 10 de março de 2013

2.8 Trabalho Interdisciplinar do segundo semestre de 2013 (descrição das atividades)

Convencidos no decorrer das atividades anteriores da validade do fazer docente baseado no conceito de interdisciplinaridade adotamos o planejamento conjunto das duas disciplinas com objetivos comuns de estudo e um diálogo produtivo do ponto de vista do trabalho pedagógico, garantindo, como já foi mencionado, o desenvolvimento de uma compreensão da realidade sob a ótica da globalidade e da complexidade, ou seja, uma perspectiva holística da realidade.

 Neste semestre, o estímulo para os alunos desejarem escrever um texto, articulando os conteúdos básicos de Direito Penal e Comunicação e Expressão, desenvolveu-se com os temas Homofobia e Pedofilia, baseando-se em bibliografia fornecida pelo docente da disciplina Direito Penal.

 Após a leitura, o tema foi explorado pelos grupos de cada classe que discutiram e organizaram a discussão em seminários direcionando a elaboração dos artigos de opinião, para serem pontuados nas duas disciplinas. A elaboração dos artigos seguiu gradualmente as etapas já mencionadas nas atividades do segundo semestre de 2012

Nessas etapas, novamente os nossos graduandos realizaram a complementação dos dois processos: análise e síntese, vivenciando o aprendizado da redação que, como afirmamos em todo o projeto, trata-se do mais completo exercício de reflexão, de comunicação e de evolução mental do homem; aprendizado interminável e não previsível, mas com valor de uso e formador da sensibilidade crítica.

3 DISCUSSÃO

3.1 Ligar a leitura ao prazer pareceu-nos sempre a melhor solução para a formação do leitor. Cria-se um hábito para durar a vida inteira, quando uma experiência, marcada pelo prazer, é suficientemente repetida. Mas o período dessa criação do hábito está a uma distância considerável do momento de enfrentamento do exame vestibular. Assim, ao chegar à fase acadêmica, nem sempre nossos alunos possuem o hábito da leitura, cabendo aos docentes dessa fase, criar motivos, sem imposição, para leituras numa frequência suficiente para a formação do leitor criativo e crítico, proposta central desse projeto.

Para dinamizar essa proposta, a primeira atividade do projeto elencou três obras cinematográficas: A Árvore da vida, A onda e A vida é bela que se revelaram oportunas para ligar o prazer da fruição estética com a fase de assimilação dos conteúdos pretendida.

Assim como a linguagem representa em cada indivíduo a acumulação de milênios de experiência coletiva, assim como a ciência equipa cada indivíduo com o conhecimento adquirido pelo conjunto da humanidade, da mesma forma a função permanente da arte é recriar para a experiência de cada indivíduo a plenitude daquilo que ele não é, isto é, a experiência da humanidade em geral. A magia da arte está em que, nesse processo de recriação, ela mostra a realidade como possível de ser transformada, dominada e lúdica. A ciência será sempre necessária para desvendar todos os possíveis segredos da natureza e dominá-la, assim como a arte torna-se indispensável para se familiarizar com a própria vida. A experiência de uma obra de arte desencadeia um processo de identificação, quando o fruidor percebe não ser mera testemunha da criação, mas também co-autor daquelas obras que estendem os horizontes do ser humano..

A boa obra continua sempre a pulsar com a vida que contém. Um livro, uma peça teatral ou um filme feito há séculos ou há meses, se for bom ressoa, vibra com voz humana. As leituras de bons filmes convivem com as leituras de bons livros, pois as várias formas de arte, ao invés de se cancelarem e destruírem, complementam umas às outras, e, à medida que amadurecem, se reforçam. Arte se acumula, se sucede, se vivifica. O cinema pode vivificar e dialogar com obras literárias nem sempre digeridas por nossos alunos do século XXI. Apesar da convivência com os filmes atuais, fumegantes de sexo e violência, constatamos, nessas atividades, que nossos alunos não embotaram o gosto pela serenidade dos filmes plenos de significação.

Podemos dizer que, hoje, o audiovisual incorpora a literatura e, para alguns cineastas, o texto verbal do filme é quase tão importante como a literatura. A leitura e análise dos filmes mencionados proporcionaram questões instigantes para discussões como: O que pode ser visto nesse filme? Que reflexões ele desperta? O que mais impressiona? O raciocínio lúcido e bem estruturado (atividades da disciplina Filosofia) conduziram à organização lógica e boa concatenação das ideias na redação dos textos (atividades da disciplina Interpretação e Produção de textos) As reflexões estruturadas antes da elaboração dos textos aumentaram a confiança e o desempenho dos redatores.

Na etapa de revisão das resenhas, foram trabalhados, dentro das limitações de uma classe numerosa, os conteúdos “qualidades do texto: coerência, coesão, clareza, concisão e correção gramatical”. Para minimizar essas limitações, foi sugerido que os alunos buscassem apoio de alunos e/ ou familiares academicamente mais preparados.

Apesar do empenho dos docentes em conduzir as discussões e as resenhas baseadas nas próprias interpretações dos alunos, algumas resenhas se basearam em análises prontas dos filmes, facilmente encontradas na Internet. Como constatado por Araujo

“... Ao mergulhar nesse mundo virtual, temos a possibilidade de agir dentro do próprio sistema, mas corremos um imenso risco de sermos devorados pela superfície que quer tudo liso, sem rugosidades, sem pensamentos. Se cairmos nessa sedução, não teremos oportunidade de oferecer a nossos jovens uma educação capaz de lhes incentivar o civismo” (ARAUJO, P. 51),

Diante desta situação, ao invés de proibir a consulta, foi realizado um trabalho comparativo entre as leituras originais e as parafraseadas, demonstrando a validade das primeiras em nada inferior às segundas. Nesse caso, por que não ficar com o ineditismo da própria leitura?

Após esforços em conjunto (Filosofia e Interpretação e Produção de Textos), foi gratificante constatar que as interpretações, expressas nas resenhas, mostraram que as leituras dos três filmes, no seu conjunto e dentro do universo ficcional, alcançaram as propostas da reflexão filosófica com questões acerca da capacidade e a finalidades humanas para conhecer e agir. Os alunos, na sua maioria, constataram que, mais importante do que encontrar respostas, é aprender a formular perguntas.

3.2 No segundo semestre de 2012, trabalhamos a disciplina Comunicação e Expressão, como um espaço em que a linguagem – encarada como forma de ação sobre o mundo e dotada de intencionalidade – fosse compreendida e atualizada.

O artigo “Conscientização e Redação Crítica”, de Roque Amadeu Freutz (1985) esclarece que o homem, em qualquer sociedade, é limitado e condicionado por um mundo ordenado culturalmente e pré-existente ao seu aparecimento, encontrando-se a consciência desse homem aprisionada pela ordem pré-estabelecida. Uma conscientização efetiva, ao lado da reflexão crítica, libertaria o homem de seus condicionamentos, desenvolvendo suas capacidades atrofiadas pela culturalização e promovendo a realização de organizações sociais que se coadunariam com os interesses da maioria – uma vez que cada formação cultural é constituída historicamente por uma minoria de homens poderosos que se impõem sobre os demais. Privilegia-se assim o estudo crítico da realidade, restringindo-se a ação transformadora à reflexão e ao uso da linguagem como forma de ação social. A práxis da redação crítica desenvolve a consciência investigadora propiciando o diálogo social.

A linguagem, faculdade imensamente antiga da espécie humana deve ter precedido os elementos mais rudimentares da cultura material. O primeiro momento que o homem manipulou algo do mundo pode ter sido também o momento da primeira palavra: num polo, está o homem espécie como criador da linguagem,cujo objetivo primeiro é exteriorizar e objetivar suas experiências cognitivas,afetivas e técnicas; noutro polo, está o homem condicionado pela sua própria criação linguística e pela criação das semióticas derivadas (Amadeu Freutz, l985).

A linguagem, processo de interrelacionamento humano, é ao mesmo tempo instrumento de representação do mundo e lugar e instrumento de sua transformação. Pensar a educação é também pensar a participação cultural e o papel que a linguagem pode ter a favor dessa participação. Educação, linguagem, conscientização, participação cultural tornam-se assim perfis de uma mesma problematização

As culturas se diferenciam pelo grau de participação da sociedade do usufruto dos bens culturais. Grande parte da sociedade participa da produção de cultura mas não participa da sua fruição. Preocupar-se com a educação significaria então preocupar-se com a elevação do nível cultural das massas e desacreditar o caráter apolítico da atividade educacional. A educação é sempre um ato político, cumpre sempre uma função política, está sempre servindo às forças que lutam para perpetuar ou transformar a sociedade. Por outro lado, cumpre não esquecer o domínio da língua enquanto instituição e o policiamento (Escola, Academia, Crítica) sobre o que seria a boa língua. Cabe à educação sistemática promover intencionalmente a percepção crítica de toda essa realidade. Através do processo educativo, proporciona-se ao aluno imerso na opressão ideológica o conhecimento crítico da realidade e as alternativas do relacionamento humano. Só assim ele poderá adquirir novos interesses a partir dos quais se lhe torna possível tomar novas decisões. Isto significa que as decisões humanas, para serem verdadeiramente livres, precisam ser precedidas de conhecimento objetivo da realidade. Muito mais importante que acumular conhecimento é levar o aluno através da reflexão, a adquirir conhecimento dos fatos. Essa consciência permitir-lhe-á desenvolver seu senso crítico, sua capacidade de análise e julgamento, suas chances de participação no processo histórico.

Ainda que isoladamente, muitos profissionais dão uma importância maior à linguagem reconhecendo que só com o domínio dela se pode operar melhor no meio em que vive. Valorizam conteúdos reais, dinâmicos, flexíveis.

3.3 No primeiro semestre de 2013, foi trabalhado o conto O Enfermeiro, de Machado de Assis. Nesse conto, estruturado como narrativa epistolar, o narrador escreve para um leitor determinado (o destinatário da carta), elaborando um relato de confissão e autojustificação, relato que não pode deixar de ser afetado por esse intuito e pelo leitor fictício ao qual se destina. O leitor implícito do texto lê pois uma carta que não lhe é endereçada, mas os condicionamentos que afetam o narratário (leitor representado dentro da narrativa) a manipulação a que pode estar sujeito e as relações que sustenta com o narrador, podem perfeitamente projetar-se sobre ele. O conto torna-se assim uma conjetura acerca da leitura que o narratário faria da carta, no contexto de uma correspondência já existente. Essa leitura implica o exame de alguns índices da declaração confidencial e das justificativas que o narrador elabora para convencer seu leitor, ou seja, o narratário. O conhecimento que o narratário tem do enfermeiro (o personagem narrador) é anterior ao do leitor implícito do conto e tudo leva a crer que foi por causa desse conhecimento que escreve à personagem, pedindo um “documento humano” para seu livro.

“Parece-lhe então que o que se deu comigo em 1860, pode entrar numa página de livro? Vá que seja, com a condição única de que não há de divulgar nada antes da minha morte. Não esperará muito, pode ser que oito dias, se não for menos; estou desenganado.” (MACHADO DE ASSIS, 1982, p. 187)

A partir daí são fornecidos os dados que reconstituem os acontecimentos. Alguns índices que permeiam a narrativa poderiam ser considerados acusadores e agravantes, numa reconstituição do relato do personagem, em que fica evidente que o autor da carta procura ganhar a simpatia do seu narratário.

O crime ou acidente só vai acontecer depois do testamento, que o personagem Procópio parece ter presenciado (ou escutado atrás das portas) para afirmar que o coronel descompôs o tabelião quase tanto quanto a ele. Sua “paciência” se esgota depois do testamento; resolve sair e concede apenas mais um mês para que o vigário consiga um substituto. Mas não foi necessário, Na noite de 24 de agosto, depois de dois atritos com o enfermeiro, o coronel morre. As últimas palavras que o narrador registra dele na carta são: Hás de pagá-lo, ladrão. (MACHADO DE ASSIS, 1982, p.189)

Ao que parece, o narratário da carta aproveitará o documento humano para realmente escrever um livro, pois o narrador fornece observações para ajudá-lo. Examinando cuidadosamente a sinuosa justificação de Procópio, as atenuantes se diluem cada vez mais diante da pobreza, do interesse do narrador e dos acontecimentos narrados ao seu destinatário.

O leitor implícito torna-se assim um violador de correspondência, lendo a carta com a desconfiança do narratário, “maltratando a arruda que não lhe cheirou a rosas.” (MACHADO DE ASSIS, 1982, p.187)

Após essas provocações, pôde ser constatado nos trabalhos elaborados o empenho dos graduandos em evidenciar o espírito crítico, elencando argumentos favoráveis à inocência ou argumentos favoráveis à condenação do personagem. Cada grupo formulou a tese ressaltando os parágrafos que aguçaram sua interpretação para classificar o homicídio com premeditação, homicídio sem premeditação (acidente) ou inocência.

Os grupos apresentaram oralmente sua interpretação, explicitando os argumentos para a tese defendida. Após os debates nas duas disciplinas em sala de aula e com as devidas orientações, a apresentação foi estruturada em trabalho escrito pontuado nas duas disciplinas e postado no sistema da UNIP como APS (Atividades Práticas Supervisionadas)

Muitos pesquisadores já se debruçaram sobre as relações entre o direito e a literatura, ou seja, a interpretação do texto ficcional literário como exercício para pensar as questões jurídicas. Realmente, ao considerarmos que direito é interpretação, estamos admitindo que há semelhanças significativas entre pensar o direito e pensar o fenômeno literário. Entre os autores clássicos fundamentais trabalhados para auxiliar na investigação jurídica, talvez o mais explorado seja Machado de Assis (júris simulados de D. Casmurro). Uma das razões para selecionarmos o conto O enfermeiro de Machado reside no fato de não termos nenhuma notícia de um trabalho no curso de direito com essa obra.

O lado social da literatura ganha força maior na defesa dos direitos humanos. Trata-se de uma necessidade universal, fator indispensável de humanização (o grande poder humanizador da construção), fornecendo a possibilidade de compreendermos e vivermos dialeticamente os problemas.

Durante o processo da interpretação e elaboração da análises, refletimos com os alunos que o conhecimento caminha mas não chega nunca. Menos que chegar, importa o que se aprendeu pelo caminho e o desejo de prosseguir. Visto como aprendizado, nosso projeto procurou mais um recurso da interdisciplinaridade por meio da exploração das virtualidades da verdadeira narrativa (e com o resgate do seu espaço estético), essa troca experiencial que nunca se exaure, provocando, séculos depois de produzida, interesse e reflexão.

3.4 No quarto semestre de 2013, a experiência confirmou as hipóteses levantadas no início do nosso projeto. Todos os alunos gostam e querem escrever, mas sentem insegurança por não terem sido suficientemente preparados.

O ato de redigir é um ato de linguagem. Nossa cultura, nossa civilização e até mesmo as mais íntimas relações com nossos semelhantes dependem desta que foi, sem dúvida, a maior invenção do homem de todos os tempos: a linguagem. A linguagem articulada levou milênios para aparecer. Desde então tornou-se inseparável do homem e segue-o em todos os atos. O Indivíduo pensa e age a partir da linguagem que incorporou. Para alguns estudiosos, a linguagem é tão antiga quanto a consciência que consistiria na própria linguagem assimilada. As grandes realizações da inteligência não seriam possíveis sem a linguagem, porque é ela que transmite a cada geração as novas conquistas das gerações anteriores.

Como ato de linguagem, o trabalho de redação é comunicação e expressão. Toda linguagem é estruturada, organizada. A música, a dança obedece a princípios, possui uma técnica, ou seja, pormenores práticos especiais à sua execução. A redação, trabalho de linguagem também pressupõe técnica. Realmente a linguagem escrita exige uma forma mais complexa de coesão, de organização dos períodos. Torna-se então necessário explicitar os variados processos de construção de significado, as estruturas narrativas, os expedientes de coesão e argumentação, os recursos expressivos.

Mas o estudo da expressão escrita é um meio e não um fim em si mesmo. Ninguém aprende redação para saber redação mas para operar melhor no meio em que vive. Ninguém pode ser um profissional bem sucedido se não souber se expressar e entender bem o que lê. Esse é o passaporte para a competência. Não podemos criar tipos que saibam apenas o que lhes foi ensinado: precisamos de homens que sejam capazes de operar com valores e materiais novos numa civilização em contínua e acelerada mudança. Precisamos de criatividade E é na criatividade que se delineia a importância do ensino de redação, por excelência um exercício de criatividade. Falar ou escrever envolve sempre um processo criativo de seleção, dentre os múltiplos recursos expressivos que uma língua oferece, daqueles que são mais adequados às intenções que se deseja manifestar e aos efeitos de sentido que se deseja provocar. A produção do texto escrito vem sempre acompanhada de um trabalho de reflexão e operação sobre a linguagem que o sujeito manipula em busca de uma nova significação.

Basicamente, a vida é sempre uma situação nova exigindo soluções novas. O homem sempre se distinguiu dos animais por inovar, encontrar soluções, em suma, por ter comportamento criativo. Mas saber escrever criativamente implica um aprendizado. Escritores, músicos, cientistas, todos aprenderam a criar; muitos fora da escola porque a escola não é o único lugar de aprendizado; artistas aprendem a criar com outros artistas e no exercício constante da obra. A criatividade surge a partir do que o indivíduo sabe. O artista e o cientista não ficam inertes esperando a inspiração. Suas vidas são exemplos de trabalho e aprendizado criador.

Escrever não implica dom. Há diferenças psicológicas entre os homens, mas todos possuem inteligência, memória, criatividade em diferentes graus. Cumpre desenvolver ao máximo essas capacidades; há um aprender a criar criando, um aprender a escrever escrevendo. Criatividade é processo, é método para estimular um desenvolvimento normal, de talentos especiais ou comuns.

Ensinar redação seria, portanto, dar ao sujeito condições positivas de agir, de inventar, de redescobrir a linguagem, usando emoção, inteligência e imaginação em fases operacionais. Embora não exista uma relação mecânica entre ler e escrever, a leitura é um dos elementos que constituem o processo da produção da escrita o que convence a nunca desvincular produção de recepção do texto.

Nessa última etapa do projeto, repetimos as dinâmicas da primeira atividade, explorando os temas Homofobia e Pedofilia, escolhidos pelos próprios alunos para a elaboração do artigo de opinião e cumprimento das Atividades Práticas Supervisionadas. Buscamos, nessa etapa, suprir as falhas percebidas no semestre correspondente de 2012, diminuindo o número de integrantes por grupo e dividindo as etapas do trabalho em prazos mais acessíveis à inexperiência dos nossos redatores (simplicidade dos trabalhos apresentados) além de ponderar acerca de quais atividades foram acolhidas com mais entusiasmo para chegar ao propósito do projeto. As conclusões demonstraram que os textos, quando bem selecionados, despertam o entusiasmo dos alunos do primeiro ano, mas vivenciam com mais facilidade a narrativa fílmica. Com base nessas práticas, o projeto para 2014 está ligado à criação de um grupo no facebook para postagem de resenhas e comentários acerca de filmes recomendados por explorar temas jurídicos (a princípio espontaneamente e trabalhado com orientações posteriormente). A participação, naturalmente interdisciplinar, poderá contar com a colaboração de vários docentes e alunos de outros anos, interessados no gratificante trabalho do desenvolvimento da expressão escrita.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Direito é uma profissão com experiências riquíssimas no contato diário com a natureza humana. Essas experiências somadas à disciplina e rigor do discurso jurídico formam naturalmente profissionais que necessitam e gostam de escrever. Assim, por tradição, os estudantes de Direito estudavam filosofia e literatura e tornavam-se bons escritores. Com o passar do tempo, essa formação humanista foi diminuindo e cedendo espaço para uma formação muito específica e, com essa especificidade, profissionais mais úteis e menos sensíveis. A abordagem epistêmica sobre o discurso – leitura e produção de textos como um modo de organizar sensações, ideias e fatos – conduz ao conhecimento e à compreensão do relacionamento humano. Seu pressuposto é o de que o conhecimento do mundo surge gradativamente em interação com o uso da linguagem: escrever sobre um assunto ajuda a compreendê-lo. O fracasso de certos textos não se deve à falta de informação de base, mas à incapacidade de construir um quadro global, organizando e sistematizando os dados disponíveis, exercitando o uso das estratégias argumentativas. Essa organização e sistematização torna-se possível com o trabalho interdisciplinar.

Cabe ainda neste trabalho uma consideração significativa acerca da importância da inclusão do texto literário ou estético (cinema e literatura) nas atividades acadêmicas do curso de direito. Pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo, nesse caso, nossos alunos. Antonio Candido (2004)) afirma que, sem o universo da ficção, o ser humano definha e figurativamente morre. O contato com o texto literário propicia ao leitor certo estado de lucidez ou de devaneio que o aproxima da criança em seu olhar inaugural das coisas, produzindo sentidos, que fogem à lógica habitual, ao mesmo tempo em que revela o lado oculto de certas verdades automatizadas. Se é uma necessidade universal, então constitui um direito humano.

O autor esclarece ainda que a literatura confirma e nega, propõe e denuncia, apoia e combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas. Ela não corrompe nem edifica, mas oferece o que chamamos de bem e de mal e nos torna mais capazes de organizar a visão que temos do mundo. Assim, uma sociedade justa pressupõe o respeito aos direitos humanos, reconhecendo que a fruição da arte e da literatura em todas as modalidades torna-se um direito inalienável em todas as etapas da formação acadêmica.

O professor é naturalmente um ser de projeto para si e para os outros. Sua responsabilidade é maior porque não só modifica a sua realidade como também a realidade que o envolve e a realidade daqueles que estão sob a sua orientação. Para que esse projeto seja significativo, tem que tocar seus alunos transformando-os em seres de projeto e não apenas seres robotizados, coisificados, instrumentalizados, meros repetidores.

O verdadeiro professor é aquele que consegue despertar em seus alunos a capacidade de criar, de perguntar e de se sentir perturbado, e partir para a transformação do que o incomoda. Este será o motivo embasador de vida, vida entendida como processo, como movimento criador, como caminhar firme para algo definido, valorizando o que dá sentido ao ser e ao vir a ser.



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