Justiça mantém júri de empresário acusado de mandar matar radialista

TJ-GO nega recurso interposto por Maurício Sampaio e outros 4 acusados.
Atualmente, ele preside o Atlético-GO; defesa diz que vai recorrer do caso.

O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) manteve nesta quinta-feira (30) decisão que levará os cinco acusados da morte do radialista Valério Luiz de Oliveira, a júri popular. Entre eles, está o empresário Maurício Sampaio, presidente do Atlético-GO. A decisão em primeira instância havia sido tomada em agosto do ano passado pelo juiz Lourival Machado da Costa, da 14ª Vara Criminal de Goiânia.
O advogado de Sampaio, Ney Moura Teles, informou que vai recorrer da decisão e pretende levar o caso até os últimos recursos, primeiro no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, caso não tenha êxito, ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde pedirá a suspensão do júri.
A decisão foi tomada pelo juiz substituto em segundo grau Sinval Guerra Pires, que seguiu o voto do relator, o desembargador Ivo Favaro, que já determinava a realização do júri. Na última terça-feira (26), outro juiz subAlém de Maurício Sampaio, também são acusados de envolvimento no crime os policiais militares Ademá Figueredo Aguiar Filho e Djalma Gomes da Silva, o motorista Urbano de Carvalho Malta e o açougueiro Marcus Vinícius Pereira Xavier.


Os defensores dos outros acusados não foram encontrados até a publicação desta reportagem.
Entenda o caso
O cronista esportivo Valério Luiz foi assassinado no dia 5 de julho de 2012, quando saía da rádio em que trabalhava, no Setor Serrinha, em Goiânia. O TJ-GO recebeu a denúncia do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) em 27 de março do ano seguinte. No documento, cinco pessoas foram indiciadas, entre elas, o empresário Maurício Sampaio, que é considerado o mandante do crime. Ele nega as acusações.

Sampaio foi preso três vezes de forma preventiva, mas aguarda o recurso em liberdade. A denúncia aponta também que Urbano de Carvalho Malta contratou o cabo Ademá Figueiredo para matar o cronista. Ainda segundo o documento, Marcus Vinícius participou do planejamento do crime e Djalma da Silva foi indiciado por atrapalhar as investigações da polícia.
Valério Luiz foi morto a tiros, em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)
Valério Luiz foi morto a tiros ao sair da rádio onde
trabalhava  (Foto: Reprodução/ TV Anhanguera)
Foram quase oito meses de investigação. O inquérito policial foi entregue ao Poder Judiciário pelos delegados Adriana Ribeiro e Murilo Polati, da Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios, em  26 de fevereiro de 2013. O documento possui mais de 500 páginas e mais um volume com provas técnicas contra os suspeitos.
Conforme a denúncia, o crime foi motivado pelas críticas constantes do radialista à diretoria do Atlético-GO, da qual Maurício Sampaio era vice-presidente. O desentendimento entre os dois já durava dois anos.
Segundo o inquérito, foram ouvidas 12 testemunhas oculares do crime, entre radialistas, funcionários da rádio onde Valério Luiz trabalhava, funcionários de escritórios e de escolas próximas, além de servidores de órgãos públicos. Elas contaram que o executor agiu sozinho na cena do crime.
Outra constatação apontada no documento é de que Urbano ficou na cena do crime por cerca de 40 minutos. Ele morava de favor em uma casa de Maurício Sampaio localizada em frente à rádio onde Valério Luiz foi assassinado, no Setor Serrinha, em Goiânia. Maurício Sampaio estava afastado do Atlético-GO no dia do crime. Em janeiro de 2015, foi ele aclamado como presidente do Dragão.stituto, Jairo Ferreira Júnior já havia se posicionado favorável.

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