A advocacia criminal no limite da ética

Por Anderson Figueira da Roza

Sem dúvida alguma, uma das questões mais perigosas para um advogado criminalista é saber se colocar no limite ético entre representar da melhor maneira possível o seu cliente, e não ultrapassar a barreira muito tênue entre a atividade profissional da advocacia e por algum determinado motivo (não necessariamente econômico), cometer um ato ilícito.
Desta forma, a advocacia criminal por um lado coloca o profissional na defesa de pessoas que estão sendo acusadas de cometerem delitos, que por si só, já representa um risco, haja vista que muitas vezes estas pessoas estão dispostas a tudo para não serem condenadas. Logo, serão feitas diversas propostas sedutoras ao longo de sua carreira para que você faça alguma coisa ilegal em prol de seu cliente.
 
Neste sentido, uma dica valiosa, é saber se posicionar sem receio algum para o futuro cliente que você não realiza atividades fora da lei, de forma que ele nem cogite a ideia de tentar viabilizar alguma espécie de suborno a agentes públicos, ou realizar serviços na busca de informações privilegiadas para seu cliente, receber honorários com produtos ilegais que tem alto valor no mercado negro, tais como pagamentos em armas, drogas, etc.
Algumas vezes, especificamente em atividades comerciais, seus clientes vão lhe oferecer inclusive sociedade no negócio, e pode ter certeza que serão valores tentadores para que você possa ter um futuro tranquilo, nestas horas é importante ter em mente que seus valores morais que foram lhe passados na vida estejam mais altos que qualquer vantagem momentânea, e, além disso, pense muito nos seus familiares que estão lhe dando suporte, e com toda a certeza querem desfrutar da sua companhia com a certeza que você jamais vai agir ilegalmente.
Atualmente a vulnerabilidade do profissional da advocacia criminal é, sem a menor sombra de dúvidas, a utilização do seu telefone celular. No mundo moderno, cada vez mais, as pessoas ligam e falam demais pelos seus aparelhos, e nunca sabemos quem está sendo monitorado pela polícia.
Então você deve ser breve nas suas conversas, há uma tendência dos clientes anteciparem o caso pelo telefone, logo, não necessariamente para a proteção do advogado, e principalmente para o próprio cliente, que pode estar sendo alvo de interceptação telefônica, seja breve ao falar pelo telefone.
Há diversos casos pelo Brasil de advogados criminalistas que foram investigados e processados pela sua conduta duvidosa com seus clientes, não pense que você jamais será um alvo, certamente você em algum momento também estará com seu telefone monitorado e sem saber. Esta dica, vale inclusive para as suas ligações pessoais, pois caso você esteja sendo monitorado, qualquer diálogo está sendo escutado, imaginem então que até suas conversas com seus familiares e amigos estarão monitoradas, ninguém gosta de ter sua vida privada exposta.
Um último detalhe, bastante comum é que algumas vezes quem vai te propor um ato ilícito é o próprio agente público que teria o dever de ser correto e honesto, e que por estar em contato com investigações ou processos criminais e já perdeu seus valores éticos e morais, passa a ser tão ou mais delinquente que seu cliente e lhe pede vantagens. Muito cuidado nessas horas, é um caminho sem volta, uma vez feito, sempre que você estiver com esse sujeito, ele estará esperando novas possibilidades de acordos com você, porém, em algum momento ele também poderá estar sendo investigado e aí você advogado criminalista é quem precisará de um colega para lhe defender.
Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More